Vanderlei chora na homenagem pelos dez anos da histórica medalha olímpica de Atenas

Written By Podio Sport on sexta-feira, 29 de agosto de 2014 | 11:22


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O bronze na maratona, em 2004, com direito à medalha Barão de Coubertin, foi lembrado em evento do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA na sede da Bolsa




São Paulo - Vanderlei Cordeiro de Lima chorou de emoção - interrompeu seu depoimento várias vezes para se recompor e enxugar as lágrimas - quando relembrou sua trajetória de boia-fria, no interior do Paraná, a medalhista olímpico na maratona nos Jogos de Atenas, em 2004, na homenagem desta quinta-feira (28/8), na sede da BM&FBOVESPA, em São Paulo. Vanderlei recebeu das mãos do diretor-presidente da Bolsa, Edemir Pinto, placa comemorativa ao aniversário dos dez anos da medalha que exalta o seu feito. No dia 29 de agosto de 2004 Vanderlei entrou para a história do olimpismo ao ganhar a medalha de bronze na maratona, conquista envolvida em drama, mas com um fair play incrível, que valeu a ele o status de herói olímpico e a medalha Barão de Coubertin.

F1- Barão de Coubertin e bronze que vale ouro

O diretor-presidente da Bolsa, Edemir Pinto, exaltou a conquista. "Há exatos dez anos, Vanderlei Cordeiro de Lima, na época atleta do nosso Clube, deu ao povo brasileiro talvez uma das maiores emoções e que ficará para sempre na memória."

F2- Vanderlei na comemoração da medalha
Na liderança da maratona no km 36, Vanderlei, inesperadamente, foi agarrado e empurrado para a calçada - chegou a cair de lado e tocar o chão com as mãos - pelo ex-padre irlandês Cornelius Horan. Ajudado por Polyvios Kossivas, cidadão grego que assistia à prova, voltou a correr. "No momento, achei que era um atentado, que ele estava com uma faca", contou. Cruzou a linha de chegada no Estádio Panathinaikos rindo, desenhando corações no ar e fazendo aviãozinho. O ouro ficou com o italiano Stefano Baldini e a prata com o norte-americano Mebrahtom Keflezighi.

O brasileiro não fez críticas à organização, disse que perdoava o irlandês que o tirou da prova e que o bronze valia ouro. "Eu não tenho raiva dele. As pessoas podem não acreditar, mas desde depois da prova eu nunca senti raiva", confirmou. Por essa conduta, recebeu a medalha Pierre de Coubertin, honraria do Comitê Olímpico Internacional aos atletas que são exemplos do espírito esportivo. Na homenagem, Vanderlei mostrou as duas medalhas aos jornalistas e disse que o bronze vale muito.

"Eu poderia não ganhar o ouro, mas a disputa iria para o fim da prova. Demoraram quase dez minutos para me ultrapassar depois do incidente. Mas não posso afirmar que seria o campeão. Acho que o Baldini foi infeliz ao dizer que seria campeão de qualquer jeito. É uma dúvida que vai ficar, mas posso dizer que me foi tirada a oportunidade de ganhar o ouro." Garantiu, porém, que não lamenta e prefere ainda hoje comemorar o bronze.

F3- Vanderlei no pódio da maratona olímpica em 2004
O ex-maratonista recebeu um pedido de desculpas oficial do governo irlandês, mas a organização dos Jogos de Atenas nunca se desculpou formalmente. O Comitê Olímpico Brasileiro ainda tentou obter o ouro para Vanderlei, mas não conseguiu.

Vanderlei contou que 2004 foi todo cercado de drama. Superou uma fratura na clavícula naquele ano, de um tombo de moto, em janeiro, teve apenas até abril para obter o índice, e correu em agosto numa Olimpíada em que o atletismo brasileiro não havia ganho nenhuma medalha na prova que encerrava os Jogos. Disse que teve forças para ir ao pódio por um voto de credibilidade de seu técnico, Ricardo D'Angelo. "Sempre acreditei na força de vontade e no caráter dele. Não escolhi ser seu técnico, mas tive a honra de ter esse privilégio", disse D'Angelo.

"Quando comecei eu não tinha nem um gato para puxar pelo rabo, mas tinha um sonho, garra, determinação, vontade de vencer. Eu confesso que fui além, mais longe do que eu imaginava. Só bens materiais não contam para nada. Já parei de correr há seis anos e ainda hoje o que eu fiz é reconhecido, as pessoas falam comigo na rua Só tenho a agradecer. Passamos por muitas situações que quem está fora não acredita. 2004 foi um ano de provação para mim e para o Ricardo (D’Angelo, treinador)", observou Vanderlei.

O medalhista de bronze olímpico disse que só tem a agradecer a "Sérgio Coutinho Nogueira, que o contratou para a Funilense em 1989 e indicou Ricardo D'Angelo para ser meu técnico; ao Ricardo e à BM&FBOVESPA por sempre acreditarem em mim". Citou e agradeceu o apoio do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA, da Caixa, Nike, Pão de Açúcar e São Caetano.

F4- Sérgio Coutinho Nogueira, Edemir Pinto, Vanderlei e Ricardo

Padrinho do Clube, formação de longo prazo

"É um privilégio ter o Vanderlei como padrinho do Clube de Atletismo BM&FBOVESPA. Mas essa é uma história antiga. O Vanderlei integra o Clube desde a sua fundação, em 2002. Foi lá que começou a trajetória de mais de uma década de trabalho da Bolsa por um atletismo de ponta no Brasil. Como bem sabemos, o investimento no esporte tem de ser visto numa perspectiva de longo prazo. Não se geram atletas olímpicos do dia para noite nem em quatro anos", disse Edemir Pinto.

Sérgio Coutinho Nogueira, diretor-técnico do Clube, acrescentou que atletas como Vanderlei, a campeã olímpica do salto em distância Maurren Maggi, o bicampeão da Maratona de Nova York Marílson Gomes dos Santos e a campeã mundial do salto com vara Fabiana Murer, todos com desenvolvimento no Clube de Atletismo BM&FBOVESPA, precisaram de mais de dez anos de investimentos para chegar às glórias que obtiveram no atletismo. "Não há caso, no mundo, de atletas que tenham se formado a curto prazo", ressaltou Coutinho.


Mais informações: www.clubedeatletismo.com.br e www.clubedeatletismo.org.br


A I / Contrapé de Jornalismo
Foto1-4 / Contrapé / Divulgação
Foto2 / Washington Alves / COB / Divulgação
Foto3 /  Wander Roberto / COB / Divulgação

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